Metal Open Air: cancelado por organizadores do festival

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Anthrax: Scott leiloa 200 ítens de sua coleção pessoal

SCOTT IAN abriu seus cofres e o arquivo do ANTHRAX. O guitarrista está leiloando vários itens adquiridos ao longo de mais 30 anos de sua história ... - [Clique Aqui e Leia Mais]

Iron Maiden: Adrian Smith confirma planos para novo álbum

Em entrevista ao programa That Metal Show, da rede VH1, o guitarrista Adrian Smith, do Iron Maiden, falou a respeito dos próximos planos da Donzela de Ferro para 2012 e 2013 ... - [Clique Aqui e Leia Mais]

Megadeth: fã de dez anos pega a munhequeira de Mustaine

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Guns N' Roses: ex-empresário insinua que Axl é bissexual

O ex-empresário do GUNS N’ ROSES, ALAN NIVEN, falou semana passada com o site estadunidense LEGENDARY ROCK INTERVIEWS e ... [Clique Aqui e Leia Mais]

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sábado, 2 de junho de 2012

Nando Mello: "O MOA não estava à altura do Hangar"

Acaba de ser veiculada no Youtube a edição #36 do Programa MoitaRock (www.moitarock.com). Desta vez, o programa contou com a participação do baixista do HANGAR Nando Mello. O músico não teve papas na língua para falar de todos os incidentes que impediram a participação da banda no mundialmente comentado Metal Open Air, em São Luis / Maranhão. Além disso, Mello também explica o motivo do HANGAR ter contado com tantos vocalistas diferentes durante a carreira. Confira abaixo alguns trechos.

Sobre o Metal Open Air:

“Qualquer evento, você pode fazer um evento de quermesse, por exemplo, tem que ser bem planejado e bem organizado. É inadmissível chegar na semana de um evento dessa magnitude para o metal nacional, com bandas conhecidas internacionalmente, e revelar problemas de falta de dinheiro, falta de organização. Não tinha segurança porque o pessoal não foi pago. O pessoal do palco foi embora, o pessoal do som foi embora. Acho que foi uma vergonha para nós, brasileiros, patrocinar um evento que foi um fracasso, com tantas desistências.”

Sobre a participação do HANGAR no evento:

“Todo mundo sabe... Uma banda gringa não pisa aqui para fazer um show sem estar paga. Quando chegamos em Fortaleza [havia uma série de workshops da banda marcados na região] e percebemos que as coisas não andavam bem, tomamos a decisão de não ir ao festival se não houvesse o pagamento do cachê – assim como fazem com as bandas gringas – e se não houvesse a segurança de que seríamos bem recebidos. Decidimos não comparecer, já que não foi cumprido o contrato. Aliás, o contrato não existe. Desde janeiro estávamos pedindo o contrato, pedindo o nome do hotel. O nome do hotel apareceu pra gente na quarta-feira, dois dias antes da gente tocar. Vai parecer duro falar isso, mas o festival não estava à altura de ter a participação do HANGAR, porque a responsabilidade que a gente tem, nós também cobramos de quem contrata a gente”.

Sobre a troca de vocalistas da banda:

“A cena no Brasil ainda não é profissional como na Europa ou Japão. Não existe glamour no metal. Existe muito trabalho! Às vezes são 12 horas de trabalho para tocar uma hora e meia. O nosso time do Hangar já ta nessa há 13 anos, então é um grupo muito fechado e a gente já passou por tudo. Nós quatro (Nando, Aquiles, Laguna, Martinez) não medimos esforços. Não tem essa frescura sabe de ‘vamos de avião, hotel 5 estrelas, 50 toalhas brancas’... Vai pra puta que pariu cara que exige isso! Aí cai a ficha do vocalista, porque talvez ele entre na banda pensando que é uma outra coisa”.

Nando ainda falou sobre estrutura de shows, hipocrisia no metal nacional e André Leite. E o programa também sorteia o EP “Silent War”, da banda nacional PHORNAX. Confira e entrevista completa abaixo.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Humor: Metal Open Air 2013

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Metal Open Air: festival foi uma aposta que deu errado

No dia 5 de dezembro de 2011, quando o ANTHRAX foi anunciado como headliner do festival Metal Open Air, comprei sem hesitar os ingressos e as passagens para São Luís, além de fazer a reserva em uma pousada na cidade. Se não me falha a memória, nenhuma outra banda internacional havia sido anunciada até então, mas encarei a possibilidade de um festival com esses moldes no Brasil como uma aposta que valia a pena ser feita. O preço do ingresso era razoável, as passagens estavam relativamente baratas dada a antecedência da compra, e as condições de pagamento facilitavam a operação de uma forma que, mesmo que o festival não se realizasse, minhas perdas financeiras seriam pequenas, contornáveis.

Contanto, a cada semana, as chances de algo dar errado pareciam menores. Bandas de renome confirmadas, website com design caprichado, camisetas exclusivas, mensagens dos músicos para o Brasil... Tudo apontava, pelo menos para quem acompanhava de longe, como eu, para uma produção sólida e eficiente, que havia conseguido realizar no Maranhão o que muitos julgavam ser impossível em qualquer lugar do Brasil. Aliás, a realização do festival no Nordeste era perfeitamente plausível para mim, visto que, de acordo com o relato de amigos, os shows nessa região viviam cheios, enquanto os shows na minha cidade, o Rio de Janeiro, eram cada vez mais escassos e vazios...

Essa impressão de solidez continuou a mesma até a véspera do meu embarque para São Luís, quando as más notícias começaram a vazar. O cancelamento das bandas nacionais me pareceu o típico descaso dos produtores com as bandas brasileiras. Imaginei que a prioridade da produção tivesse sido com a estrutura e com as bandas estrangeiras, o que provavelmente teria gerado um mal estar com as bandas nacionais, que ainda não deviam ter recebidos suas passagens e cachês e, por isso, cancelado sua participação no evento. Já em relação ao cancelamento do VENOM, acreditei no pronunciamento da banda, visto que não só o show no MOA, mas toda a turnê sul-americana havia sido cancelada. Contudo, as notícias sobre as condições do camping começaram a me preocupar, uma vez que amigos meus usariam o espaço, e também por mostrar a desorganização da produção.

Embarquei para São Luís na manhã de sexta-feira, ainda com notícias sobre problemas no camping e na montagem da estrutura dos palcos, além de inspeções de órgãos públicos para garantir as condições para a realização do evento. De qualquer forma, como era a primeira grande realização das produtoras envolvidas, achei que esse tipo de problema era compreensível, dada a falta de experiência, e que mesmo com atraso, o festival aconteceria sem maiores percalços. Essa impressão se reforçou quando pousei no Maranhão, e fui informado via sms que o EXCITER acabara de entrar no palco.

Já sabia que perderia algumas atrações, então passei no hotel para tomar um banho e me encaminhei ao Parque Independência, onde o festival aconteceria. No caminho, a primeira preocupação: o parque é bem afastado do centro da cidade, é rodeado por comunidades de baixa renda, inclusive algumas favelas, que não davam a menor sensação de segurança. Chegando ao parque, outra má impressão: o local para a troca dos vouchers por pulseiras de acesso parecia extremamente amador, com mesas improvisadas, pessoas sentadas no chão e nenhum controle sobre o tipo de ingresso e identificação do público.

Entrando no parque, era necessário passar pelos estábulos, o que seria normal por ser um parque que abriga feiras de animais, mas confesso que o cheiro não era nada agradável. Ainda não sabia que a área do camping era por ali... A praça de alimentação também era decepcionante, com péssimas condições de higiene, filas enormes e poucas opções de comida... No mesmo momento, decidi que não comeria nada no festival. Mas a situação começava a melhorar a partir deste ponto. Os banheiros químicos eram abundandes e funcionavam bem, ao contrário de em outros festivais maiores, como o Rock in Rio. Havia também uma grande quantidade de estandes de bebida, sem filas. Os palcos, pelo menos à noite, estavam impecáveis, com uma ótima iluminação. E a Área VIP, que eu só vi a distancia, parecia ser bem decorada, apesar de mal localizada. Ou seja, apesar da péssima primeira impressão, a estrutura dos palcos não era muito diferente dos diversos festivais que eu tive a oportunidade de estar, o que dava a impressão que os shows aconteceriam sem maiores problemas, ainda que o camping e a área de alimentação fossem precários.

O primeiro show que acompanhei foi o do ANVIL, uma das bandas que eu mais queria ver ao vivo. Contudo, o som que saía do PA estava extremamente embolado, e era quase impossível ouvir o que Lips cantava. Felizmente, ao longo do show a qualidade do som foi melhorando, ainda que em nenhum momento tenha ficado perfeita. O grupo canadense optou por apostar em diversas músicas do seu mais recente disco, "Juggernaut of Justice" (2011), o que acabou deixando o show um pouco frio. Os solos de bateria e "vibrador" também desanimaram um pouco o público, que só se animou nas clássicas "666", "Mothra" e "Metal on Metal", que encerrou o show. Uma pena que tantos outros clássicos tenham ficado de fora...

Na sequência veio o SHAMAN, banda que eu realmente não fazia a menor questão de assistir, então aproveitei para dar uma checada no estande de merchandising, que infelizmente não tinha material de diversas bandas que se apresentariam no evento. Foi também nesse intervalo que vieram as confirmações do cancelamento do SAXON e do ROCK AND ROLL ALL STARS, que deram mais um banho de água fria na platéia...

Contudo, os shows continuavam a todo vapor, e o DESTRUCTION subiu ao palco com força total, com uma sequência de clássicos de matar os fãs do coração: "The Butcher Strikes Back", "Total Desaster" e "Mad Butcher". A qualidade do som oscilava, mas a plateia não parecia ligar, visto que o setlist escolhido pela banda, com apenas duas músicas do último disco e ênfase nos maiores sucessos do grupo, agradava com certeza a todos os presentes. Em resumo, um show espetacular, que dificilmente será esquecido por quem o presenciou, e que fez com que muitos esquecessem os problemas que o festival vinha apresentando até então.

A esperança de que o festival tinha finalmente entrado nos eixos se reforçou com o show do EXODUS. Com um som cristalino, pesado e forte, o grupo optou por iniciar o concerto com três músicas relativamente novas, tiradas de seus dois últimos discos de estúdio. Uma opção ousada, visto que a maioria dos presentes ansiava pelos clássicos de discos como "Bonded By Blood" (1985) e "Fabulous Disaster" (1988). Ainda assim, "The Ballad of Leonard and Charles", "Iconoclasm" e "Children of a Worthless God" levantaram a galera, e enormes rodas se formaram na pista. Contudo, a casa veio abaixo mesmo com os clássicos "Piranha", "Blacklist" e "And Then There Were None". Infelizmente, devido ao atraso no início do festival, a banda teve que cortar algumas músicas do seu set, mas o final apoteótico com "Bonded By Blood" e "Strike of the Beast", com direito a "wall of death", foi sensacional. Na minha opinião, a melhor apresentação do festival, e a certeza que, dali para frente, nada daria errado...

Aproveitei o tempo do show do SYMPHONY X para descansar e beber algo, mais uma vez sem maiores problemas, e acompanhei a apresentação de longe. O vocalista Russel Allen impressiona, mas o estilo do conjunto não é dos meus favoritos, então guardei minhas energias, desgastadas pela viagem e os shows anteriores, para o headliner da noite, o MEGADETH de Dave Mustaine.

Pouco tempo depois, a entrada de bateria de "Trust" ecoou, e o MEGADETH entrou em cena, com a melhor iluminação do festival. O som começou excelente, ainda que um pouco baixo, e ao longo de "Hangar 18", "She-Wolf" e "Public Enemy Number 1" foi piorando, ao ponto de Dave Mustaine interromper a execução de "Whose Life (Is It Anyway?)" para corrigir uma microfonia que persistia em sua guitarra... A banda voltou com mais uma música do último disco, "Guns, Drugs and Money", e na sequência tocou "A Tout Le Monde", que emocionou muita gente. Contando, a música seguinte foi uma decepção para mim: "Symphony of Destruction", clássico absoluto, mas que costuma estar no fim do setlist da banda... E a suspeita se confirmou quando a entrada de baixo de "Peace Sells... But Who's Buying" começou. Sim, realmente estávamos no fim do show, com apenas 8 músicas tocadas até então... E a saideira foi "Holy Wars... The Punishment Due", quando a guitarra de Chris Broderick ficou totalmente inaudível. Em resumo, um show extremamente curto, ainda que o set list tenha sido bem escolhido para um festival, focando nos maiores sucessos da banda e introduzindo músicas do disco novo, que deixou todos com uma sensação de "quero mais"...

Apesar dos problemas, posso afirmar que a grande maioria dos presentes gostou do primeiro dia do festival, e todos estavam ansiosos pelo segundo, que prometia bastante com a presença de bandas como ANTHRAX, BLIND GUARDIAN e GRAVE DIGGER, ainda que o ROCK AND ROLL ALL STARS tivesse realmente cancelado sua apresentação.

No sábado, decidi almoçar em uma churrascaria, para me alimentar bem e não precisar comer nada no festival. Enquanto comia, uma chuva torrencial se abateu sobre a cidade, e com ela uma enxurrada de más notícias pipocava no meu celular. Primeiro, o ANTHRAX havia cancelado sua apresentação. Em seguida, os palcos estavam sendo desmontados. Decidi voltar ao hotel e acompanhar as notícias pela internet antes de tomar qualquer decisão. Como muitos devem ter acompanhado, as informações eram as mais variadas possíveis, mas todas tinham algo em comum: não vinham da produção do festival. Por volta das 17h, o BLIND GUARDIAN cancelou oficialmente sua participação, alegando não haver condições técnicas de realizar seu show. Quase que no mesmo horário, a produção confirmou que haveria shows a partir das 18h, com todas as bandas que ainda se encontravam na cidade. Minutos depois, o GRAVE DIGGER também oficialmente anunciava sua desistência. Algum tempo depois, amigos que estavam no camping me informaram que uma banda brasileira acabara de subir ao palco. Acreditando nos produtores, que ao menos a banda U.D.O. ainda se apresentaria, visto que estava na cidade e não anunciou seu cancelamento, me desloquei para o Parque Independência, e cheguei a tempo de ver os últimos minutos do DARK AVENGER. Contudo, o clima no local era de velório. Onde havia ao menos 10 mil pessoas na noite anterior, por volta de 3 mil assistiam ao show, muitos em clima de velório, dado o cancelamento de seus artistas favoritos. Conheci uma menina de 15 anos que trocou a sua festa de debutante pela oportunidade de ver sua banda favorita, o BLIND GUARDIAN, ao vivo em São Luís. Não preciso nem falar como estava seu estado de espírito. O segundo palco estava meio desmontado e totalmente às escuras, aumentando ainda mais o clima fúnebre...

Ainda assim, o LEGION OF THE DAMNED subiu no palco e fez uma boa apresentação, que teria animado a galera em condições normais. Na sequência, quando muitos esperavam o U.D.O., veio o KORZUS, que fez um show forte, com a energia de sempre, e com muita honestidade explicaram o que estava acontecendo ali. Contudo, enquanto as outras bandas tocaram uma hora ou menos, o show do KORZUS passou dos 90 minutos de duração, o que deixou muitos com a pulga atrás da orelha. Ao fim da apresentação, a suspeita se confirnou: o U.D.O. também havia cancelado.

Naquele momento, confesso que me senti extremamente mal. Se os produtores tivessem anunciado ainda à tarde que apenas as três bandas nacionais e o LEGION OF THE DAMNED tocariam, eu provavelmente não teria ido ao Parque Independência. Se tivessem anunciado que o festival todo tinha sido cancelado, provavelmente eu teria antecipado meu retorno para o Rio. Mas em nenhum momento os mesmos foram transparentes com o público, que pagou um valor considerável pelos ingressos.

Com o cancelamento do U.D.O., parecia evidente que o dia seguinte também seria cancelado. As notícias sobre a briga entre os produtores, publicadas ainda na madrugada de sábado para domingo, reforçavam essa tendência. Não demorou, e às 10h, o evento estava oficialmente cancelado. Aproveitei o domingo para conhecer a região litorânea de São Luis e voltei para o meu hotel, onde as notícias sobre as condições daqueles que acamparam me deixaram ainda mais revoltado.

Como disse no início deste relato, quando comprei os ingressos e as passagens para o evento, encarei a realização do festival como uma aposta. Uma aposta que poderia perder e ter prejuízos financeiros. Fazia parte do jogo. E se o festival fosse cancelado por completo até a quinta-feira, antes de eu embarcar, confesso que aceitaria ter perdido a aposta. É impossível que, a dois dias do início do festival, os produtores não soubessem que não teriam dinheiro para pagar os fornecedores e algumas das bandas. O mais digno a se fazer seria cancelar tudo e devolver o valor dos ingressos, e quem se sentisse lesado, que procurasse seus direitos na Justiça. Confesso que ficaria triste, mas compreenderia, visto que, como disse, encarei a aventura como uma aposta que poderia dar errado.

Entretanto, a falta de respeito com as milhares de pessoas que viajaram e, principalmente, acamparam por lá foi absurda. Nunca, em situação nenhuma da minha vida, vi nada semelhante. Sem falar na decepção de saber no dia que os shows não aconteceriam. Esse foi o fator que mais me convenceu a ir à Justiça procurar meus direitos, e ir até onde for possível para reaver todas as perdas que tive.

Gostaria ainda de deixar claro que o povo maranhense em nenhum momento pode ser responsabilizado por nada do ocorrido. Conduzido pelas produtoras envolvidas, o evento teria dado errado em qualquer cidade ou Estado brasileiro. Vou torcer para que os produtores sérios que temos não sejam afetados por este fiasco, uma vez que certamente as bandas internacionais farão muito mais exigências para tocar no Brasil depois desse show de amadorismo.

sábado, 28 de abril de 2012

M.O.A: em 2004 o Masters Open Air era cancelado


Parece que a bruxa já estava solta há 8 anos atrás quando um outro festival com a mesma sigla do Metal Open Air, foi cancelado. Em 2004 o "Masters Open Air", festival que reuniria diversas bandas de rock e heavy metal em São Paulo, havia começado bem mal, com várias atrações confirmandas o evento acabou sendo cancelado. O URIAH HEEP (foto) era umas das bandas que estavam confirmadas. O evento era para ter acontecido em 24 de julho, com 10 bandas internacionais e uma estimativa de 15 mil pessoas no Anhembi. Perto da data, os organizadores anunciaram que ela seria adiado, porém o evento nunca chegou a ser remarcado.

sexta-feira, 27 de abril de 2012

Metal Open Air: Aquiles Priester fala sobre o festival

Charley Gima, diretor e jornalista da MiG 18 conseguiu esta exclusiva com Aquiles Priester, baterista do Hangar, para falarmos sobre os fatídicos acontecimentos do MOA, Metal open Air, que teve seu cancelamento definitivo anunciado na tarde deste sábado, 21/04. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

1) Aquiles, os fãs do Hangar, do metal nacional e até do metal mundial ficaram pasmos com a desistência do Hangar no festival Metal Open Air, o que de fato ocorreu? O que os produtores do MOA alegaram pra banda?

A situação não é de agora. Quando você acerta um show ou qualquer tipo de evento, junto com o contrato você acorda vários detalhes de cachê, deslocamento, equipamento e logística. O contrato nunca chegou. A comunicação com os organizadores sempre foi difícil. A confirmação de hotel chegou somente dois dias antes do evento, quando já estávamos na estrada. Começamos a solicitar o que havíamos combinado e ficamos estacionados em Fortaleza esperando pela solução. Na manhã da quinta feira dia 19 eles entraram em contato e ofereceram apenas 35% e o restante no dia do festival. Como já era manhã do dia 19 e estamos de ônibus, não havia tempo para chegar a São Luis para o show, mas de qualquer maneira sem o combinado não aceitaríamos expor a banda a uma situação arriscada de viajar tantos kilometros e não saber como seríamos recebidos e se seríamos pagos. Por maior que seja o nosso amor ao metal, não podemos tocar de graça. Isso é nosso trabalho e ninguém trabalha de graça.

Esse cancelamento acarreta uma série de problemas logísticos pra banda. Onde vocês estão hoje, o que estava planejado e o que farão para contornar o problema?

Nunca tocamos sem o nosso próprio backline. Fazemos questão de ir com nosso ônibus levando toda a estrutura da banda. Uma opção que é nossa, ao contrário das outras bandas que iriam de avião e tocariam com backline local. Seriam mais de 4.000 km de São Paulo até São Luis, mas não importa, todos sabem que trabalhamos assim. Na ida para São Luís marcamos alguns workshops nas cidades de Palmares, Recife e Caruaru em Pernambuco, Picos no Piauí e Fortaleza no Ceará. Para essa viagem para o M.O.A. recebemos um adiantamento de 25% do nosso cachê, que não cobriria nem metade da nossa viagem até lá. Os workshops foram um sucesso de público e podemos ver o quanto a banda cresceu no Nordeste e o quanto é importante fazer esse trabalho de divulgação em locais onde nunca uma banda de metal esteve, como em Picos e Palmares. A medida que os dias foram passando e não havia nenhum tipo de contato , fomos ficando preocupados e também mito atentos aos sinais que vinham do M.O.A. Se não fossem os outros eventos marcados, o prejuízo da banda seria muito grande. É são esses prejuízos que desistimulam as bandas e fazem as atividades serem encerradas.

Quantas pessoas estão envolvidas na equipe do Hangar, sofrendo com estes problemas junto com você, e quanto de equipamento vocês carregam?

Viajamos com 11 pessoas, 5 da banda e uma equipe com motorista, uma pessoa que vende nosso merchandising, o engenheiro de som e 3 roadies. Levamos cerca de 6 toneladas de equipamento com o ônibus um total de cerca de cerca de 15 toneladas. Estamos todos aqui em Fortaleza, parados, pois com o cancelamento do M.O.A. temos um workshop somente dia 25 em Goiânia. Toda essa despesa será nossa. Serão tres dias parados mais a volta sem o complemento do nosso cachê. No entanto, em momento algum pensamos em cancelar a nossa apresentação em Goiânia, pois nosso fãs não têm nada a ver com (...) Negri Concerts e Lamparina Produções. Se cancelássemos, seríamos iguais a eles... O que temos de mais importante na história da banda é o nosso caráter. Não temos o rabo preso com nínguém e podemos sustentar a nossa opinião sem medo algum... Somos independentes!

Como um renomado artista mundial, você procurou saber de outras bandas e artistas, tanto nacionais quanto estrangeiras, se estão passando pelos mesmos problemas?

Durante o mês de março eu estava em tour com o guitarrista Tony MacAlpine, porém sempre atento, sempre cobrando a organização do festival. Durante a semana falei com algumas pessoas e todas estavam com os mesmos problemas. Não compro a briga de ninguém de graça e tenho muito orgulho de termos sido a primeira banda a comunicar oficialmente que não participaríamos por falta de cumprimento de contrato. Depois da gente, todo mundo que estava na situação, resolveu abrir a boca e falar sobre essa vergonha nacional.

Você considera o ocorrido um desrespeito maior com quem? As bandas nacionais, as bandas internacionais ou os fãs?

Você tem que realizar projetos quando está realmente preparado para aquilo. Nesse caso não havia espaço para erros. Existe uma grande chance de virarmos uma piada do metal mundial pela desorganização. Imagine o mundo todo falando sobre esse fiasco no mundo metal? Tenho muita pena das pessoas que realmente trabalham a sério com isso.

Vocês chegaram a cogitar o fato de tocar no festival mesmo sem as garantias contratuais como algumas bandas estavam fazendo?

Nunca. Sair da sua casa somente para ter o nome da sua banda em um cartaz de festival aqui no Brasil não seria apropriado para o Hangar. Nós somos o tipo de banda que tenta levar o metal a todos os lugares possíveis com a nossa própria estrutura. Fizemos um workshow na cidade de Palmares em Pernambuco na última sexta feira para duas mil pessoas. Se as outras bandas querem tomar uma passaghem só de ida para o festival e ficar pedindo a passagem de volta e o cache é problema deles. Você tem que valorizar o que voce faz. Não dá para dar de graça a única coisa que você faz para viver. Não podemos chegar num posto de abastecimento, dizer que amamos nossa arte e que tocamos de graça num festival em São Luís ao meio dia, e que agora precisamos que eles nos dêem combustível de graça, por que todo mundo ouve música no carro. O cara vai rir e vai dizer: cada um com os seus problemas...

Você já tocou em grandes festivais na Europa e no Japão, esse fato mostra que o Brasil ainda está despreparado para eventos de grande porte para o Metal?

O Brasil já teve muitos festivais organizados e sérios. Não seria correto generalizar. No caso do M.O.A. parece que era uma coisa meio que anunciada. Já no início, se apropriaram de um nome que não era deles... Muita gente já estava esperando algumas confusões. Temos que torcer agora que os efeitos no mundo sejam pequenos... (...)

O que falta para atingirmos uma excelência em produção de festivais? Apoio governamental, patrocínio, divulgação em massa ou mais profissionalismo por parte dos envolvidos?

Organização, só isso. O público quer shows de metal. Só precisamos mudar a imagem do metal... Não precisamos mais do estereótipo que o cara curte metal adora estar bêbado e drogado e não pensa no seu futuro... Isso já era, é coisa do passado. Nunca quis essa imagem para minha carreira e muito menos para o Hangar. O Hangar é um case de sucesso... Nos mantemos em atividade o ano todo, cuidamos de tudo em torno da banda (merch, divulgação, prensagem de CDs, agendamento de shows e workshops, empresariamento, site, etc) e não dependemos de ninguém, a não ser dos nossos FÃS! Não aceitamos tocar de graça nem na Europa com passagens pagas. Já nos ofereceram para ser banda suporte de algumas turnês para tocar em troca de comida, transporte e venda de merch. Não vou viajar, ficar um mês fora de casa e voltar com as mãos vazias... Não dá mais para ser irracional. Precisamos arriscar até onde não arriscarmos a integridade da banda.

Você ainda acredita que podemos um dia ter um grande festival de metal nos moldes do Wacken ou Sweden?

Com certeza. Tem gente séria e competente o suficiente para realizar eventos aqui no país.

Estes problemas com o MOA mancham a imagem do Brasil com as bandas gringas?

Vamos esperar mais um pouco, só está começando, mas com certeza se alguma coisa não estiver de acordo eles irão reclamar muito. Tudo pode prejudicar. O cara sempre vai pensar duas vezes antes de vir ao Brasil.

Para finalizar, deixe seu recado para os internautas e fãs do Hangar.

Nós estamos aqui para manter a nossa música em primeiro lugar e não vamos mudar nosso pensamento por causa de um acontecimento desses... Sempre remamos contra a maré e isso só nos mostra que estamos certos... Se estivéssemos lá nesse momento, estaríamos abandonados e sem saber para quem recorrer. O prazer do show já teria passado e estaríamos em sérios problemas... Obrigado pela compreensão e pela manifestação de todos VCS!

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Metal Open Air: resenha dos shows do primeiro dia

Hoje, todos já sabem os resultados e conhecem a frustração causada pelo que foi o Metal Open Air, aquele tal festival que seria o maior festival de metal da America Latina, sabe?

Mas, como quem embarcou nesse Titanic foi lá pra ver bandas tocando, você confere (ou relembra) aqui como foram as participações das bandas que chegaram a subir aos palcos DIO e CLIFF na sexta-feira, 20 de abril.

A primeira banda, EXCITER, só subiu ao palco bem depois das 3 da tarde. Até perdemos uma parte do show, pois estávamos do lado de fora, ainda na incredulidade sobre a realização do evento. As notícias que chegavam em todos os veículos, este inclusive, e os relatos de quem já estava lá dentro, eram desanimadores. Ninguém estava passando o som, não havia sinal de que algum show aconteceria ali naquele dia, quem estava no camping não tinha assistência nenhuma e nem mesmo tinha algo para comer que pudesse comprar.

Apesar de esperar mais um problema, a troca dos ingressos foi relativamente simples e rápida. A distância a ser percorrida dentro do parque de exposições é que não ajudou ninguém. O próximo problema, presente durante todo o evento: a qualidade do som. Vou ter que ver outro show do EXCITER, esse não valeu. Além de perder metade do show, a qualidade do som estava tão ruim que parecia que não havia um guitarrista no palco. Apenas durante os solos é que dava pra ouvir a guitarra de John Ricci.

No outro palco, Cliff, a banda ORPHANED LAND foi a próxima a tocar. Aqui, faço um parêntesis para dizer que os nomes dos homenageados, RONNIE JAMES DIO e CLIFF BURTON não estavam visíveis em nenhum lugar. Assumo que este era o palco Cliff pela combinação inicial bandas X palcos. Se estava trocada, mencionarei seus nomes invertidamente de agora em diante.

Foi um show que dividiu opiniões. Eu, particularmente, gostei do show, embora tenha ficada um tanto decepcionado. Kobi Farhi veio com sua habitual caracterização de Jesus Cristo e declarou "Eu não sou Jesus Cristo, mas, se ele estivesse vivo hoje, a música que ele mais ouviria seria Heavy Metal". Mas eu queria ver como funcionava no palco a mistura de instrumentos tradicionais do heavy metal com os instrumentos orientais. Isso não aconteceu. Em nenhum momento vimos algum instrumento diferente e foi utilizado playback em todas as partes das músicas em que esses deveriam aparecer. Esse recurso foi utilizado até mesmo na música Sapari (que, segundo Kobi tem mais de 400 anos), no dueto com a "Maria Madalena", que também não estava lá. O destaque especial do show foi o guitarrista Yossi Sa'aron (Sassi), com seu nariz de 15 metros e sorriso constante, demonstrando que estava se divertindo pra valer, como um bom rock star. Perto do final do show, eles receberam várias bandeiras (de Israel, do Ceará, de Minas e de times de futebol como Cruzeiro e Santa Cruz) e as exibiram no palco. O som estava consideravelmente melhor, embora ainda existissem momentos de falha. E o uso do playback, pra mim, foi algo bem desanimador.

O show do ALMAH já encontrou o palco DIO sem problemas no som (o retorno do EDU FALASCHI, principalmente, estava funcionando!!! - vocês sabem do que estou falando). Embora com uma discografia relativamente pequena, a banda já tem alguns hits bem marcantes e casa melhor com o vocal do Edu que o próprio ANGRA. Ele, feliz com o final do tratamento ao qual esteve submetido nos últimos meses e assumindo ser polêmico (aqui você também sabe do que estou falando), mas num discurso de união, pediu o apoio de todos ao evento, à cena metal brasileira e lembrou que os problemas que estavam acontecendo no MOA eram similares aos problemas nas primeiras versões do WACKEN e ROCK IN RIO. Ficamos ansiosos para que ele desse mais alguma notícia, pois era a primeira vez que algúém no palco falava do evento em si. Isso não aconteceu. Algumas poucas músicas depois, ocorreu um fato que me fez rever minhas opiniões sobre o cantor. Alguém teria dito que aquela deveria ser a última música. A atitude do vocalista mudou. "Ah é? Nós estamos aqui tocando de graça. Quando houve aqui aquele outro evento pra divulgação do MOA eu paguei o hotel do meu bolso e agora eu só posso tocar mais uma música? Pois nós vamos tocar todo o setlist que está aqui, que nós formatamos pra essa galera aí. Tem banda gringa esperando pra tocar no outro palco? Vai esperar!!!." Dei valor, Edu!

Um fato inusitado: enquanto ele cantava Traice of Threat o vocalista do EXCITER, Kenny "Metal Mouth" Winter, acompanhava a letra em um computador no canto do palco e cantava junto, bastante empolgado. Mais tarde, tive a oportunidade de conversar com ele e perguntei se eles tocariam em outras cidades brasileiras. Kenny disse que estavam fazendo apenas uma média de um show por mês por que estavam trabalhando no novo álbum. Ou seja, em breve, tem novidade na praça. Um disco a ser conferido, com certeza. À essa altura já rolavam boatos sobre um possível cancelamento da banda ROCK N´ ROLL ALL STARS. Kenny disse que não acreditava nisso.

O próximo show, da banda canadense ANVIL, foi um dos melhores shows da noite, em minha opinião. Apesar disso, não foi sem problemas. Acabo de elogiar o som do show do ALMAH e os problemas voltam a acontecer no show do ANVIL. Simplesmente, não se ouvia a voz de Lips, parecendo que as músicas eram longas jams instrumentais. Não sei se cheguei a influenciar alguma coisa, mas consegui contato com alguém do palco e avisei o fato. Se já estavam sabendo ou não, não sei, mas o problema foi logo resolvido. E daí, foi só curtição. A "paudurecência" do show dos caras fez, finalmente, por uma hora, a gente esquecer dos problemas que estávamos enfrentando. O trio empolgou muito em seu show. Lips dizia "eu sou um hippie, sabe? E acredito na paz, e no amor (fazendo gestos sexuais)" e masturbava a guitarra em solos inacreditáveis. Robb Reiner também fez um dos melhores solos de bateria que já vi, durante Mothra. Enfim, Rock n' Roll, puro e festivo como deve ser. Terminou com a execução das ótimas Funken Eh e a indispensável Metal On Metal (ou seria carne sobre carne). Foi o show que fez valer todo o sofrimento até aqui.

Em seguida o show do SHAMAN, bem mais morno e tendo como pontos altos o hino do festival (apesar de tudo) e o tecladista Juninho Carelli (cara de moleque), que ora tocava num teclado convencional, ora tocava num IPad. Ao final, um comentário de Thiago Bianchi: "Megadeth e Symphony X vão tocar daqui a pouco. Sejam educados com eles". Que é isso, Thiago? Tá pensando que está onde e nós somos o que?

Outro problema (que não é só do MOA, ressalte-se), quando as bandas, produtores, etc vão entender que acrobacias luminosas só atrapalham? Em diversos momentos ficava difícil olhar para o palco devido a quantidade exagerada de jogos de luz. A gente quer ver banda tocando, não ficar cego.

Outro vacilo da produção nos fez pensar que o próximo show seria o MEGADETH. A bandeira da banda estava já no fundo do palco Cliff, sendo coberta depois pela bandeira do Exodus, quando, de repente, o barulho de motoserra anunciava o início do show do DESTRUCTION, provocando uma correria generalizada para o outro palco. Embora com grandes clássicos, como Nailed to the Cross, Bestial Invasion e Curse The Gods ficou difícil dar ao show a atenção merecida àquela altura. E mais uma vez, problemas com o som, provocando o desespero de metade da multidão que assistia atônita à falta de som em toda uma parte do palco por três seguidas e demoradas vezes.

Em seguida, o show do Exodus. Que show!!! E todo o cansaço foi embora. Rob Dukes tem uma grande presença de palco, anda como um louco e comanda a tropa de fãs como um grande general. Você não sabe o que é um mosh pit até entrar num mosh em um show do Exodus. Foi como bater e apanhar de uma centena de Andersons Silva. E no final, Wall of Death, uma experiência única (mas eu quero de novo). Um espetáculo no palco com os clássicos da banda, outro na platéia com as batalhas campais. E eu sobrevivi!!!

Finalmente, SYMPHONY X, outra banda que eu estava muito curioso pra ver, mas nem pude curtir muito, já exaurido da batalha anterior. É. com certeza, um dos próximos DVDs que eu vou comprar. Outra vez a produção dormiu no ponto. O vocalista Russel Allen por duas vezes atravessou a ponte que ligava os dois palcos e foi cantar no palco Cliff, para aqueles que guardavam lugar junto à grade para o show do Megadeth. Ok, foi inesperado, mas apenas quando ele já estava voltando é que a equipe responsável pela iluminação dos palcos conseguia ligar as luzes desse outro palco. Uma banda com músicos excelentes, grandes composições (em todos os sentidos), nerd ao extremo, mas que merece ser apreciada em condições melhores. O ponto baixo talvez tenha sido as súplicas de Russel por um mosh pit. Russel, era num show do Exodus que todos estávamos!!!

E, por fim, o show mais esperado da noite, no palco cujo nome homenageia o grande baixista do METALLICA: MEGADETH. Dave Mustaine estava estranhamente simpático e conversava bastante com a galera, enquanto intercalava clássicos como Trust e A Tout Le Monde com músicas do disco novo, como Public Enemy No 1. Infelizmente, mais problemas em sua guitarra e várias interrupções na tentativa de arrumar o instrumento. Dave chegou a dizer que apenas cantaria, deixando a guitarra exclusivamente para Chris Broderick, até que, por fim, Peace Sells, e Vic Rattlehead sobe ao palco e começaram os "goodbyes". Ainda voltaram para um bis, mas todos tivemos que acreditar o show do maior headliner tinha durado tanto quanto uma atração normal, mais ou menos 1h.

O setlist da principal atração da noite foi apenas:

1. Trust
2. Hangar 18
3. She-Wolf
4. Public Enemy No. 1
5. Whose Life (Is It Anyways?)
6. Guns, Drugs & Money
7. A Tout Le Monde
8. Symphony of Destruction
9. Peace Sells
10. Holy Wars... The Punishment Due

Somente ao final do show, alguém da produção apareceu para falar, convidando para o El Diablo, mas sem comentar mais nada. Perguntei que horas o festival começaria amanhã. Eu não sei, foi a resposta.

É isso. Eu estava lá e vi. Um obrigado especial ao amigo Nilo Braga, que emprestou o laptop, indispensável para escrever essa resenha. No momento em que escrevia essa resenha, ainda não se sabia se haveria um segundo dia de MOA.

Metal Open Air: uma curiosa foto de um dos alojamentos

Metal Open Air: casal sela compromisso em show do Megadeth

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Dio Disciples: vocalista cobra organizadores do MOA

Em comunicado oficial, Toby Jepson se desculpou com os fãs do Dio Disciples pelo ocorrido no Metal Open Air. O vocalista declarou que os sinais de desastre já eram claros desde a chegada da banda, com vários contratos não sendo honrados. Mesmo assim, fez uma homenagem aos fãs que conheceu na viagem.

“Meu pai, que foi comigo, se divertiu conversando com rockstars enquanto tomava cervejas locais com os fãs. O Brasil é um ótimo país. Lembrarei dessa visita para sempre”, disse o cantor, que encerrou a nota com um recado aos orgsanizadores. “Eles ficam culpando um ao outro e tirando os seus da reta. Se você quer ser o chefe, tem que ser macho e dar a cara a tapa”.

Almah: veja trechos do show no Metal Open Air

O ALMAH foi uma das poucas bandas que se apresentou no palco do Metal Open Air, no dia 20 de abril em São Luis, Maranhão. Apesar de toda polêmica a banda fez uma boa apresentação em divulgação do novo álbum "Motion". A show marcou a estréia do novo guitarrista Gustavo Di Padua que substituiu Paulo Schroeber que não pôde continuar na banda por motivos de saúde. Confira abaixo pequenos trechos da apresentação do Almah no Metal Open Air.

terça-feira, 24 de abril de 2012

Metal Open Air: baterista do Drowned fala sobre o festival

O baterista da banda mineira Drowned, Beto Loureiro, se manifestou sobre o Metal Open Air em sua página própria no Facebook.

MOA: público canta Hino Nacional no fim do festival

Ao final do show do Korzus, o público canta o Hino Nacional no encerramento do festival Metal Open Air em São Luís do Maranhão. Assista o vídeo.

Torture Squad: nota sobre não-participação no MOA

A Banda TORTURE SQUAD publicou a Seguinte nota em Facebook Oficial sobre a não participção no Metal Open Air:

O Torture é conhecido pela sua dedicação de anos à boa música. Espírito guerreiro e honestidade sempre foram marcas da banda.

Por isso nossas expectativas com este festival eram enormes, ainda mais por saber que o público há muito também ansiava por esse momento.

Quando surgiu o convite e o anúncio do festival, no dia 18 de novembro de 2011, foi dito inúmeras vezes que bandas estrangeiras e nacionais receberiam o mesmo tratamento e teriam o mesmo espaço.

Logo revelou-se a primeira de uma série montruosa de mentiras: a primeira propaganda de revista trazia os logotipos das gringas e os nomes das nacionais no rodapé. Artista nacional = segunda classe?

Naquele momento começamos a pressentir o pior que se confirmou na semana passada: Somente na tarde da quinta-feira, 19/04, nos informaram de que nossa ida a São Luís seria na mesma noite!

Ao chegarmos lá nos deparamos com várias notícias de cancelamento das bandas nacionais por falta de pagamento, por falta de confirmação de passagens e mais uma porção de problemas técnicos e logísticos, além de problemas com ECAD, Corpo de Bombeiros, Vigilância Sanitária, Procon.

Foi chocante ver o desrespeito ao trabalho de centenas de pessoas; meses de preparação e ensaios, investimento em material e equipe. Mas o pior de tudo foi a falta de respeito e consideração ao público - motivo da existência do festival? - que foi maltratado e tripudiado como nunca havíamos visto.

A produção do evento sequer se comunicou conosco durante nossa estadia na cidade. Tivemos de conseguir "carona" no transporte das bandas que tocariam no primeiro dia, para podermos chegar ao local do evento e nos informar sobre o que ocorria.

Apesar de que praticamente nada do que foi acordado entre as bandas e os produtores estava sendo cumprido, no segundo dia havia entre nós um clima de união e um esforço gigantesco para que pudéssemos contornar a situação e fazer a coisa acontecer. Todos tentando dar o melhor de si, como o Korzus, por exemplo, que subiu ao palco e fez um dos shows mais emocionantes que já vimos na vida.

Mas, no último dia, ficamos sem ter o que fazer. Estávamos lá prontos e dispostos pra encontrar nossos fãs mas dentro deste quadro incrivelmente bizarro e frustrante.

Como quase todas as bandas nacionais, também não recebemos nosso cachê.

E, como se tudo isso não bastasse, nós, alguns outros artistas e nossas equipes técnicas quase fomos impossibilitados de voltar para casa pois, até então, ninguém "responsável" pelo MOA foi encontrado a tempo.

Enfim, infelizmente, abandono e descaso, mentiras e vergonha, marcaram este episódio da história do Metal no Brasil. Mas, se ergues da justiça a clava forte, verás que um filho teu não foge à luta, nem teme, quem te adora, a própria morte.

O que foi feito com as bandas e sobretudo com o público não tem desculpa.

Gente arrogante e prepotente precisa aprender que há muita coisa mais importante do que seus próprios umbigos.

Exijamos punição exemplar. (...)

Alguns músicos, como nós, estamos nessa pela arte e sabemos que o público também.

Todos merecem respeito, antes de mais nada, como seres humanos.

Nos vemos na estrada!

The Torture never stops!

Metal Open Air: Jornal da Globo relata fracasso do festival

O festival novamente virou matéria de jornal de alcance nacional. Dessa vez, o Jornal da Globo destacou a situação do público nos aeroportos e a abertura de inquérito civil para apuração da responsabilidade dos organizadores do festival:
http://globotv.globo.com/rede-globo/jornal-da-globo/v/inquerito-vai-investigar-p...

Veja mais vídeos relacionados ao Metal Open Air em:
http://globotv.globo.com/busca?q=metal+open+air&dt=&d=&o=&c=&p=&page=1

MOA: Semblant, sem cachê, sem shows e com contas pra pagar

Quem, como eu, saiu de Fortaleza para São Luís, levando apenas uma bolsa de viagem amargou um prejuízo de mais de mil reais, sem falar nas decepções.

Agora, imaginem uma banda saindo do sul do país, levando técnicos, instrumentos e equipamentos. Quem já participou de uma viagem dessas pode falar melhor que eu, mas, tenho certeza, é muito, muito dinheiro que tem que sair do bolso.

Este é o caso da banda paranaense SEMBLANT. Vejam trechos da reportagem que saiu no G1.

“Quando a gente acordou, vieram as informações de que o palco havia sido desmontado e não haveria show. Soubemos pelo público mesmo. A produção não se manifestou”

Ainda segundo o G1, mesmo sem o dinheiro do cachê, os sete integrantes da banda tiveram que arcar com todo o custo da viagem. O valor das despesas não foi informado pelo grupo. Agora, eles querem acionar os produtores do evento na Justiça. “Não recebemos nada. Vamos atrás de todos os nossos direitos legais. Tivemos um prejuízo grande”, explica Mizuho.

A reportagem completa você confere aqui:
http://g1.globo.com/parana/noticia/2012/04/banda-curitibana-tem-show-cancelado-n...

Korzus: a verdade sobre o Metal Open Air

Segue press-release enviado pela banda KORZUS.

Esse fim de semana foi uma mistura de muitas sensações e emoções... No começo, parecia que um grande festival de metal aqui no Brasil estava nascendo de fato... Ficamos felizes com a possibilidade, e ainda mais por ele estar fora do eixo, em uma região mais carente de grandes eventos de Rock e Metal, que é o Nordeste. Estávamos ansiosos para fazer parte de tudo isso. Acreditávamos que seria histórico.

Então, foi chegando a data do evento... E como se fosse num filme de tragédia, fomos acompanhando as notícias de cancelamento das bandas, primeiramente as nacionais... E depois algumas poucas bandas gringas. Tinhamos um contrato assinado com o evento, e até então estávamos também no escuro. Nosso cache completo não havia sido pago... E não tinhamos passagens para o evento até um dia antes do começo do festival.

Da forma mais profissional possível, fizemos de tudo para conseguir ir tocar nesse evento que já era tão importante para nós, apesar de já estar dando sinais de problemas...

Após muita insistência, a produção do evento mostrou interesse em levar o Korzus até lá. De ultima hora, FOMOS PAGOS INTEGRALMENTE e tivemos as passagens de ida confirmadas (sob outras circunstâncias a banda não sairia de São Paulo)... As de volta foram canceladas por falta de pagamento, mas isso foi resolvido no local sem maiores problemas.

A sensação da injustiça que estava sendo cometida com as bandas brasileiras só aumentou depois que chegamos ao evento... Tudo se revelou extremamente desorganizado... E o pior foi constatar que o PÚBLICO era o maior prejudicado. No primeiro dia as coisas até pareciam que iam melhorar... Mas ai voltaram os cancelamentos das bandas... E o sábado amanheceu com a incerteza de se o festival ainda iria continuar... Passamos todo o dia no hotel esperando um direcionamento da produção. Enfim... Perto das 17 horas, vimos o Dark Avenger entrando na van para ser a primeira banda do dia no sábado, depois seria o Ácido, e ouvimos falar ainda em tom de boato, que poderia ser que todas as bandas gringas estivessem desistindo do evento... E tudo estava em risco.

Isso se estendeu até a noite, quando soubemos que o Legion of The Damned estava no palco... E decidimos nos encaminhar ao show e tocar, não só por uma questão de profissionalismo nosso, mas principalmente pelo público que lá estava. Tivemos a confirmação de que seríamos a última banda do evento pouco antes de chegar ao local... Ficamos preocupados, principalmente com a sensação óbvia de frustração e abandono que o público estaria sentindo. Mas reunimos toda a banda e conversamos, sobre a honra de tocar para um público de mais de 20mil pessoas naquela noite, e poder tentar melhorar um pouco a situação tão adversa na qual eles se encontravam... Não sabíamos o que ia acontecer, mas confiamos no respeito desse público que se mostrou maduro e compreensivo... Provando que nós, headbangers, somos algo bem diferente do que a grande mídia gosta de pintar.

Enfim, só podemos agradecer ao público... No fim das contas, acabamos fazendo um dos shows mais memoráveis da nossa vida. A platéia nos tratou como headliners, e nós fizemos o possível para ser a sua voz em cima do palco. E saímos de lá com a sensação de que ajudamos, pelo menos um pouco... A tornar melhor o dia de todos aqueles fãs dedicados e tão pacíficos. Obrigado a todos, do fundo do nosso coração. Temos a certeza de que o nordeste é um grande polo do metal brasileiro. Uma região que com a mais absoluta certeza, merece um evento ainda maior, e muito melhor e mais bem organizado.

Colunas - A. Deris: Metal Open Air - A lição dolorosa que tiramos do festival

A realização de um sonho tem preço? Respondo que não! Todos que foram ao megalomaníaco M.O.A. «Metal Open Air», São Luis/MA, dias 20/21 e 22 de abril, apostavam suas fichas na real possibilidade de participar de um evento único, aplaudindo ídolos e confraternizando com a, sempre desprezada, comunidade headbanger. Exciter, Otep, Anthrax, U.D.O., Grave Digger, Venom, Obituary, Megadeth, dentre outras, num lugar onde a plateia fala português, estava confirmado. O sonho colidiu de frente com a pétrea realidade brasileira do amadorismo.

Não fui ao M.O.A. por, pelo menos, um par de belas razões. A maior delas: fiquei velho! Cinismo & desconfiança universal são males necessários que vêm de brinde com a idade. O instinto de sobrevivência pela força bruta cede lugar a, menos exaustiva, reflexão. Se a perna é frágil, calcule cada passo com antecedência.

Enfrentar 12 horas de voo do RN ao MA, picotados em escalas, para, sabidamente, encontrar hotéis cheios e uma cidade-caldeira a abrigar um evento de escala internacional, conduzido por uma equipe sem histórico reconhecido na área, acendia meu nível máximo de velhice-que-antevê-o-caos! E piscou forte.

Com a proximidade do M.O.A., rumores de problemas transformavam-se em cancelamentos de bandas nacionais, de headliners além-mar, culminando com um rol de nós estruturais no local reservado para os shows. O castelo de cartas passou a ruir, enterrando a inocência desta nova geração banger, não acostumada a ver a tragédia de perto. Produtores, assessores, bandas e até o governo do Maranhão entraram no conhecido jogo do “segura que o filho é teu”, para eximir-se de qualquer culpa. Isso vai render ainda, de processos a desgosto geral.

Claro que diversos abnegados, vendo que já estavam no olho do furacão, aproveitaram a tormenta e reagiram com a tupiniquim capacidade de sorrir até na desgraça. Não os julgo. Divertiram-se com o restante do line up, beberam, bateram fotos e chegaram em casa munidos de assunto para semanas! Foram a essência do espírito banger «A falência do festival poderia ter suscitado quebra-quebra geral, manchando a imagem de público ordeiro». Parabéns!

Quais lições tiramos dessa história, crianças? Tema o oba-oba: nem sempre vale a pena correr atrás da manada. Uma visão crítica e um pé atrás nunca são demais. A nação headbanger é a mais forte de todas: milhares de batedores de cabeça se entregaram de corpo & alma. A distância, o calor, o gasto, o perrengue…nada abateu os fiéis deste sacerdócio mundanamente conhecido por heavy metal. O fiasco do M.O.A., ironicamente, mostra a força e o amor incondicional dos fãs, acima de todas as adversidades.

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Metal Open Air: veja impressionante Wall of Death do Korzus

Na segunda (que acabou sendo última) noite do Metal Open Air, a banda Korzus subiu ao palco e de uma forma exemplar, empolgou o público por mais de duas horas. Com todos os problemas do MOA eles conseguiram fazer um show histórico, demonstrando verdadeiro respeito aos headbangers.

Enquanto ouvimos muitos discursos, muitas vezes controversos, eis um exemplo para o Metal Nacional e às discussões relativas ao cenário. ATITUDE!

O video mostra o Mosh/Wall of Death de um ângulo privilegiado! Sem dúvida um dos melhores momentos do show!

Colunas - A. Deris: Metal Open Air - o público foi o verdadeiro show do festival

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Rock News ou de seus editores.

O desastre que nós todos testemunhamos durante o fim de semana por pouco não se tornou numa tragédia. O festival Metal Open Air, programado para os dias 20, 21 e 22 de abril no Parque da Independência em São Luiz (MA), foi inegavelmente um fiasco, gerando revolta nas redes sociais e destaque nos principais veículos nacionais, bem como na mídia internacional.

Não há dúvidas do estrago causado pelas produtoras Lamparina Filmes & Produções e Negri Concerts. E enquanto acusações surgem de todos os lados, são apenas o começo de uma longa jornada a ser enfrentada na justiça por todos os fãs de heavy metal que se deslocaram dos mais diversos cantos do país para o evento.

E são esses mesmos bangers e metaleiros quem deram o mais impressionante show do Metal Open Air: um show de civilidade, educação e, principalmente, paciência. O que ficou mais do que provado durante o evento é que poucas multidões são tão esclarecidas e aptas socialmente quanto os fãs de metal.

Usemos esse episódio pelo menos para finalmente exorcizar o fantasma estereotípico do ‘metalêro’ agressivo, grosseiro, estranho, anti-social, sujo e desleixado. O que vimos nas diversas etapas do fracasso do festival foram pessoas honestas reivindicando direitos básicos de segurança, higiene e o cumprimento das diversas promessas feitas pela produção do Metal Open Air ao vender os ingressos. Além disso, aqueles fãs se mostraram conscientes o suficiente para não promover nenhum tipo de quebra-quebra ou violência generalizada - tão prováveis em qualquer situação de frustração em massa e abuso como aquela. Vejam o exemplo do Woodstock ‘99.

Parabéns ao público pelas sucessivas provas de bom senso.

Diversos veículos divulgaram notícias sobre o descaso no evento. Entre eles o mais importante telejornal do país, o Jornal Nacional, mostrando a indignação legítima e pacífica dos presentes. Apesar do desrespeito da organização, fomos finalmente tratados de forma neutra e sem preconceitos pela mídia, um direito tão caro aos fãs do estilo no país. Levantem as canecas e celebremos: estamos livres!

Podemos parar de nos tratar com aquele fatalismo de “incompreendidos” e "vilanizados" pela mídia. Se era mesmo isso que faltava, já fomos aceitos; humanizados. E também temos direito a um festival decente, que honre seus compromissos com fãs, artistas e funcionários.

Levantem e mordam? Nem tanto.

Mas repensemos nossos papéis.

A grande verdade é que a lambança do M:O:A gerou um grande sentimento de união por todo o país. O público da internet ficou profundamente sensibilizado com as condições de amigos, irmãos, filhos, pais e cônjuges que foram ao evento. Mesmo os que não conheciam ninguém no local ficaram intrigados com as notícias. Alguns veículos da mídia trabalharam por horas seguidas em busca de informações, prontamente propagadas por aqueles mesmos fãs na internet. Todos nós, público e profissionais, se indignaram coletivamente com o tratamento dispensado aos artistas e aos campistas. Artistas tocaram por pura consideração ao público. E, principalmente, o público presente no evento, como já citado, deu um show de união e respeito.

E agora, o que se faz com esse sentimento?

Que a sensação geral de ser desrespeitado se reverta em novas posturas em prol da nossa música. Que se dê uma volta por cima. Não acredito em “salvar o metal”, nem nos discursos desse naipe. Mas acredito em uma cena que seja auto suficiente, que seja constantemente alimentada pela relação público-artistas-produtoras. O discurso de que o metal morreu não tem sentido, porque a cena simplesmente sobrevive, alheia a nós todos. Mas não custa nada que injetemos nela doses de dignidade e tentemos criar relações muito mais saudáveis para todos os envolvidos, não é?

Produtores: entendam que a tolerância acabou. Façam eventos de qualidade e o público frequentará. Ofereçam condições e cumpram compromissos com as bandas. Usem o Metal Open Air como parâmetro para tudo que vocês PENSAREM em fazer daqui pra frente.

Bandas: vejam mais uma vez o público DO CARALHO que vocês têm. Produzam com qualidade que serão prestigiados. Essa galera só exige respeito para respeitar de volta. E todos eles trabalham duro para ganhar o dinheiro que gastam COM VOCÊS. Parabéns para o Hangar (e de alguma forma à Shadowside) pela clareza e coragem de serem os primeiros a tratar e explicar com antecedência o que estava acontecendo (arautos de todo o trauma que viria a seguir). Parabéns às bandas que, mesmo diante de todas as adversidades, conseguiram tocar e amenizar um pouco a situação crítica dos bangers que estavam no festival. E parabéns também às bandas que foram fiéis aos próprios princípios e não aceitaram menosprezar seus TRABALHOS (vejam bem, são empregos) em benefício de produtores inescrupulosos.

Público: Continuem assim. Vocês foram o show do Metal Open Air. Vocês são a prova de que, mesmo diante do caos, o metal no Brasil VIVE e SOBREVIVE A TUDO. Mas, apesar da atitude irrepreensível de todos, saiam disso com consciência do que nossas bandas passam na estrada para tocar para vocês. Se o M:O:A foi um extremo, é também um grande resumo de todas as pequenas falcatruas e jogadas de má fé com as quais nossos artistas são obrigados a lidar para viver de música de forma honesta no país.

Deixo, por fim, uma sugestão pessoal (correndo o risco de pedradas): que aceitemos finalmente ser Metaleiros! Se ferreiros trabalham com ferro; se guerreiros vivem a guerra; se mineiros nasceram em Minas (!!); os METALEIROS carregam o metal com essa honra e entrega que vimos. É uma vocação.

Enquanto associarmos o termo aos personagens burros e esdrúxulos que viraram clichê, o termo será associado aos burros e esdrúxulos do clichê. É hora de deixar de lado esse preconceito e reinventar o significado de ser metaleiro. Usemos esse episódio como um novo começo. Até a Rede Globo já deu a deixa...

Enfim. Que a partir de hoje metaleiro e headbanger sejam sinônimos e tenham a mesma importância. Até porque, amigos, nada mais justo com o metal nacional que denominar pelo menos os fãs com um termo em português.

(Esse texto talvez ganhe uma sequência, avaliando mais profundamente a conduta dos profissionais e artistas durante o desastre M:O:A.)

Ancesttral: "não existe união, parem com essa porra!"

O vocalista e guitarrista Alexandre Grunheidt, da banda Ancesttral, publicou um texto sobre os acontecimentos do Metal Open Air. Confira na íntegra:
“Vamos lá… Minha última e definitiva opinião a respeito do M:O:A!

Faz tempo que ouço nos bastidores do Metal Nacional: “Não saio de casa se não tiver com tudo preto no branco e X Reais no meu bolso”. Pedem transporte específico, backline específico, hospedagem pra 1000 pessoas e um cachê que parece piada.

Há um ano e meio estamos vendo uma movimentação na Cena (especificamente depois da diarréia pública protagonizada por Edu Falaschi depois daquele evento extremamente mal organizado para celebrar o tal “Dia do Metal Nacional”) e muitos tem falado de UNIÃO.

Sabem mesmo o que é UNIÃO? União era o que acontecia entre Brainwash, Apoleon e IML em 1993 quando tocávamos no Dynamo. Era o que acontecia entre o Brainwash e o Scars na Casa de Cultura do Ipiranga na mesma época. Era o que rolava entre as bandas Acid Storm, Skullkrusher, Pentacrostic, Critical Mass e Necromancia na década de 90. E é o que acontece entre Ancesttral, Chaosfear, Woslom, Fates Prophecy, Threat, Trayce, Command6, Project46, Goatlove, Genocídio e outras bandas “menores” do nosso meio quando tocamos no Blackmore Rock Bar.

União é dividir palco, equipamento, espaço, participar do disco do outro, do show do outro, ser roadie um do outro e, principalmente, PUXAR PARA CIMA AQUELES QUE ESTÃO COMEÇANDO E QUEREM MOSTRAR O TRABALHO!

Não existe UNIÃO no Metal Nacional hoje! Parem com essa porra! Se quem está lá no topo não ajudar as bandas menores, esse papo de união será sempre uma utopia ou desculpa pra aparecer em revista!

Enquanto bandas com vergonha na cara e, principalmente, PROFISSIONALISMO AO EXTREMO, cancelavam suas participações por falta de pagamento ou de passagens, outras mostravam que, em seu mundo de Alice, tudo estava azul e esfregavam na cara das outras as coisas que elas estavam perdendo!

Se realmente houvesse união na cena, NENHUMA banda sem cachê pago ou as passagens emitidas deveria ter ido a São Luiz. Não é isso que exigem de pequenos produtores do interior? Por que com a Negri Concerts foi diferente?

Apesar de louvável a atitude dos meus amigos do Korzus, de terem feito o show para as pessoas que lá estavam, terem tocado com uma puta raça e, quem sabe, terem evitado que o pior acontecesse, quem sabe agora eles tenha aberto um precedente para um outro promotor qualquer dizer “Vocês tocaram aquele dia pelo público! Toquem pelo público aqui na minha cidade também?”.

O público merece RESPEITO! Mas não é dever de nenhuma banda tentar salvar a pátria de promotor picareta! As bandas que tocaram “pelo público” em São Luiz, desvalorizaram as que foram profissionais em não aceitar mergulhar no escuro e ir para aquela barca furada, sem saber se teriam passagens para voltar pra casa.

Já pensaram a força que o Metal Nacional teria caso Shaman, Almah, Korzus e outras bandas Brazucas tivessem sido solidárias ao Hangar e terem batido o pé dizendo: “NOS RESPEITE, FILHOS DA PUTA! EU NÃO VOU TRABALHAR DE GRAÇA PRA VOCÊ! SE VOCÊ NÃO ME PAGAR E NÃO GARANTIR MINHAS PASSAGENS DE VOLTA, EU NÃO SUBO NO PALCO E VOCÊ VAI TER QUE SE VIRAR COM A MASSA, QUE VAI QUERER TE MATAR! E AÍ? VAI PAGAR OU NÃO VAI?”.

Meu pai sempre me disse que “tem gente que só aprende na porrada”. Produtores como os que inventaram esse festival são este tipo de gente. Só vão aprender se meterem esses caras em cana… E podem ter certeza que eles terão muito mais do que um pequeno arranhão na testa pra colocar no Twitter e chamar de “agressão”.

Se as maiores bandas de Metal da atualidade deixaram que cuspissem em suas caras e eles tocaram mesmo sem que nada do que tinha sido combinado fosse cumprido, o que vocês acham que vai acontecer conosco, as menores? Vamos ter que pagar para tocar?

O público não engole mais demagogia, blá, blá, blá e esse papinho de união, dia do Metal Nacional, etc, principalmente porque quem prega, não cumpre.

Eu não vivo dessa merda e para mim chega de hipocrisia e demagogia com esse papinho de “Cena”, “Metal Nacional”, “União”, etc, e falo em nome da minha banda, o Ancesttral, e em nome de várias outras que estão ralando pra caralho por puro tesão.

A “Cena” não paga nossas contas. A banda nos toma muito mais dinheiro do que dá, por isso não temos o rabo preso com ninguém! Tudo o que temos na vida foi conquistado com nosso trabalho longe da banda e, caso um dia cheguemos à conclusão que o Ancesttral é muito mais um transtorno do que um prazer, a banda acaba e a vida seguirá igual.

Fazemos os que fazemos POR NÓS MESMOS! A existência de fãs é consequência do prazer que temos em compor nossa música e ela ser aceita pelas pessoas é um presente pelo qual somos e seremos eternamente gratos.

Mas não caiam na conversa de que as bandas de metal fazem as coisas pelos fãs, porque seu eu der uma conta de luz pra algum fã do Ancesttral pagar ele vai me mandar tomar no cu!

Perguntem para o Shaman, Almah, Dark Avenger, Korzus, Torture Squad ou qualquer outra banda que foi (ou não foi) até o M:O:A “Quanto custa o show de vocês?” e vc terá um valor. E ISSO É O CERTO, PORRA!!!

Ninguém vai te responder “Ah, cara! Eu faço pelo público… Não esquenta!”, ou quem sabe “Paga a minha gasolina, 3 latinhas de cerveja e um misto quente e tá certo!”. Definitivamente isso não vai acontecer…

PROFISSIONAIS FAZEM AS COISAS POR DINHEIRO! E essa tal “cena” só vai crescer quando as pessoas envolvidas perceberem que isso aqui não é brincadeira de gente com ego inflado, querendo aparecer!

Sobre a “Organização” espero que todos paguem na justiça e que parem de brincar de “empresários do entretenimento”.

HOMEM QUE É HOMEM ASSUME AS CAGADAS QUE FAZ! A única atitude que me faria respeitar e ter pena dos “organizadores” deste festival seria se ambos chamassem uma coletiva de imprensa, reconhecerem juntos que deram um passo maior que a perna, pedirem desculpas, devolverem o dinheiro do povo e tentar mais uma vez, só que com os pés no chão.

A Lamparina não é nem mais e nem menos inocente ou culpada que a Negri Concerts. É uma responsabilidade CONJUNTA e que deve ser compartilhada. Na visão da Negri Concerts e seus funcionários a coisa é assim: Se desse certo, EU GANHARIA. Como deu errado, ELES PERDERAM!

Em nota, disseram que tentaram de alguma forma fazer com que o festival continuasse, como se fosse um “quebra galho” ou os “heróis”. A Negri Concerts e a Lamparina Produções são PARCEIROS! E como tal, são responsáveis por tudo. Na alegria ou na tristeza!

Se deu tudo errado e estão ameaçados de ir pra cadeia, eu uso das palavras do próprio proprietário da Negri Concerts: “CHUPEM E VÃO TODOS SE FUDER!”

Pensem nisso!”