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quarta-feira, 7 de março de 2012

Arnaldo Jr: colecionador de ítens relacionados ao Metallica

Sem dúvida alguma, o Metallica, além de ser uma das mais importantes bandas da história do Heavy Metal, é um dos grupos que possui o maior número de fãs aqui no Brasil. Fãs como o entrevista desta edição da Collector´s Room. Arnaldo Jr conta a sua paixão pelo grupo de James Hetfield e Lars Ulrich nesta entrevista repleta de histórias interessantes. Então, chega de papo e aproveite.













Pra começar o nosso papo, eu queria que você se apresentasse aos nossos leitores.


Meu nome é Arnaldo Jr, tenho 36 anos e moro em Caieiras (SP).

Como foi o seu primeiro contato com o rock?

Foi por intermédio da minha irmã mais velha que gostava (gosta) de AC/DC  e assistia aqueles programas de vídeo clipe (ex.: Som Pop) que sempre passavam algumas coisas de Metal.
Meu primeiro contato com o Metallica foi em 1985, quando um camarada na escola me mostrou um adesivo do logotipo da banda, mas foi só em 1987 que tive a oportunidade de escutar. Um camarada gravou o "Ride the Lightning", mas a primeira música que escutei foi "For Whom the Bell Tolls" porque a fita estava com problema e as duas primeiras músicas ("Fight Fire With Fire" e "Ride the Lightning") não davam para escutar.

Mais ou menos com que idade você percebeu que essa paixão não tinha cura, e que iria acompanhá-lo por toda a vida?

Desde 1982. Aos 11 anos percebi que o Heavy Metal seria a trilha sonora da minha vida, não conseguia me identificar com outro estilo, as guitarras falavam mais alto … Foi o clipe de "The Number Of The Beast" o divisor de águas …

Você consegue dizer em que momento você se transformou de um fã normal de música em um colecionador?

Foi quando eu consegui comprar com a minha própria grana dois álbuns do Metallica (o "Kill´Em All" e o "Ride the Lightning" em 1987). Eu trabalhava de garçom em uma pizzaria e comprei esses dois LPs de um colega na escola. Foi demais, eu nem acreditava que tinha comprado discos importados.

Qual o tamanho da sua coleção? 

Bom, do Metallica (minha banda do coração) eu possuo 72 vinis (sendo 16 diferentes versões do "Ride the Lightning", meu álbum favorito), 68 CDs, uns 30 vídeos, 40 camisetas, mmais camisas, jacketas e as tranqueiras (palheta, relógios, abridor de lata, adesivos, imã de geladeira, corrente, carteira, etc).

Além do Metallica, de quais outros grupos você possui mais material?

Minha coleção está baseada noMetallica, mas possuo um material muito legal do Iron Maiden, Testament, Slayer, Kreator. Além das bandas citadas, gosto muito do Accept, Judas Priest, In Flames, DRI e Rage.

E o estilo que você mais gosta, qual é?

Heavy Metal, Thrash e Hardcore

Vamos fazer então uma cronologia da sua vida de colecionador: qual foi o primeiro álbum que você comprou, e porque?

Para você ter uma idéia, em casa não possuíamos toca-discos, eu tinha um rádio gravador onde eu e minha irmã escutávamos apenas rádio. Quando assisti o vídeo da música "The Number Of The Beast" do Iron Maiden, falei para minha irmã: eu preciso comprar essa fita! Aproveitei o dia que tinha consulta médica no hospital das clínicas em São Paulo (moro em Caieiras, grande SP) para passar no bairro da Lapa e comprar tal fita. Chegando lá, para minha grande frustração, não tinha a fita, só o vinil. Bom, agradeci o vendedor e quando estava indo embora ele me chamou e disse "compra uma fita virgem que eu gravo para você" e enquanto eu passava no médico ele gravou, e na volta passei na loja, peguei a fita e o vendedor não me cobrou nada a mais pela gravação. Tive a felicidade de ter o primeiro álbum do Metallica em Caieiras.

Qual foi o número máximo de itens que você já adquiriu de uma única vez?

Acho que foi um lote de nove EPs 7 polegadas que arrematei em um leilão.

Qual item você considera o mais raro da sua coleção?

O primeiro "Ride the Lightning" que comprei, não pelo valor monetário, mas pelo fato de ser o primeiro.

E o mais bonito, qual é pra você?

Eu particularmente gosto muito dos pictures, são uma obra de arte.

Qual você considera o item mais diferente e curioso do seu acervo?

As latas são muito legais, box em formato de caixão, de agenda. Existem vários bootlegs que também são bem loucos.

Existe algum disco que você passou um tempão atrás até consegui-lo para a sua coleção?

O picture do "And Justice For All" eu o consegui não faz muito tempo. Com a internet tudo ficou muito fácil. O duro era ir até a Galeria do Rock e ficar babando nos discos importados. Lembro que na época uma loja tinha o "Master Of Puppets" na versão picture, todo mundo ficava louco pelo LP.

E, complementando a pergunta anterior, quais aqueles que, apesar de você estar atrás há uma cara, ainda não conseguiu?

Existe um bootleg do Metallica chamado "Demonic Invocation". Eu cheguei a pegar na mão (isso em 1987) e não tinha dinheiro para comprar. Hoje em dia é difícil de encontrar e, quando encontro, ainda não possuo toda a grana para comprar (risos).

Como você guarda e conserva a sua coleção?

Eu tenho um rack e organizo minha coleção lá, classificada por banda.

Quais são os itens que você mais gosta entre todos da sua coleção?

Gosto muito dos LPs ao vivo, dos pictures e das camisetas (tenho um espaço exclusivo no guarda-roupa para guardá-las).

Onde você costuma comprar os itens para o seu acervo? Que lojas você indica, aquelas que possuem os itens mais difíceis de se encontrar, para quem está começando agora a sua coleção?

A Galeria do Rock continua sendo um lugar maravilhoso para os fãs de Metal. Freqüento há mais de vinte anos e faz parte da história do Heavy Metal mundial. Gosto muito também da Galeria Nova Barão, principalmente para comprar vinil. Muitos lojistas da Galeria do Rock mudaram para lá e se tornou um lugar bem interessante. A internet também é uma grande fonte de informação e negócios, mas requer certos cuidados.

A maior virtude de um colecionador é a paciência. Não fique na angústia de conseguir tudo de uma só vez.

Como a sua esposa lida com essa sua paixão pela música? Apóia ou fica na bronca?

Sou casado, tenho três filhos. Minha esposa respeita, mas toda vez que o carteiro chama para entregar algum LP ou CD ela me liga e fala: "chegou mais um" (risos). Meus filhos se interessam por cada item que adquiro, mas não os forço a gostar de Metal, cada um deve seguir a sua vontade musical.

E os seus amigos, já colocaram algum apelido em você depois de todos esses anos dedicados aos discos, ou vêem você como uma espécie de "consultor", aquele cara que conhece tudo e que tem dicas preciosas para passar?

Chamam-me de Hetfield, de Metallica. Minha sobrinha de dois anos me chama de Titio Rock e por aí vai …

Toda vez que o Metallica lança alguma coisa sempre aparece alguém para perguntar minha opinião e também para dizer que o Metallica morreu junto com o Cliff Burton, que acabou com o "… And Justice For All", que o "Load" é uma merda (risos). Respeito todas as opiniões, desde que sejam a favor do Metallica (mais risos).

Onde você costuma pesquisar a respeito de discos raros que você está procurando, de novos lançamentos, essas coisas. Em que fontes você busca essas informações?

Tudo que preciso saber do Metallica eu consulto em dois lugares: no site do Metclub (sou sócio do fã-clube oficial há nove anos) e no www.metallipromo.com . Esse site é de um inglês louco por Metallica chamado Hector, vale a pena dar uma conferida.

Quais são, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

Ai você está de sacanagem, só dez … mas vamos lá:

Metallica – Ride the Lightning
Metallica – Master of Puppets
Iron Maiden – The Number Of The Beast
Kreator – Coma of Souls/Pleasure to Kill e Enemy of Gods
Slayer – Reign in Blood
Accept – Restless and Wild
Def Leppard – Pyromania
Testament – The New Order
Sepultura – Beneath the Remains
Rage – Soundchaser
Dorsal Atlântica – Antes do Fim
Whitesnake – Slide it in
O que está rolando no seu som atualmente, e o que você recomendaria para os leitores da RockNews?

Além do Metallica, estou escutando o novo do Helloween ("Gambling With The Devil"), Jorn Lande e Symphony X. Recomendo o Astral Doors, o próprio Jorn Lande, Perzonal War, Dream Evil.

A sua coleção tem um limite? Tipo, você acha que, algum dia, vai parar de comprar discos porque acha que, enfim, tem tudo o que sempre quis ter? Você acha que esse dia chegará, ou ele não existe para um colecionador?

É difícil dizer, pois a música está em um estágio onde existe muita quantidade e pouca qualidade. Difícil você ouvir algo novo e dizer "porra, o som desses caras é foda".

Em relação ao Metallica, tem muita coisa no mercado e muitos me perguntam: "você tem tudo da banda?" Eu apenas dou um sorriso amarelo e digo "você não faz idéia da quantidade de LPs e CDs que exitem". Eu tomo muito cuidado ao comprar algum item, tem muita coisa repetida, mudam a capa, colocam outro nome e se você não for prevenido acaba comprando um monte de coisa igual.

Agora, respondendo a sua pergunta, existem alguns títulos que eu pretendo adquirir, mas ter por ter não é meu objetivo, se a qualidade de som não for boa, não me interessa.

Já parou para pensar com quem os seus discos ficarão quando você estiver mais velho? Quem será o herdeiro da sua coleção no seu futuro?

Minha filha Ariana. Ela se interessa em saber sobre as bandas, pede para contar sobre os LPs, shows. Em momento algum forcei a barra, foi natural. Não sei não, mas quando ela era pequena (três meses) eu estava escutando um LP e cuidando dela, quando fui virar o disco, ela rolou no sofá e bateu a cabeça na caixa de som, talvez isso tenha despertado o seu interesse (risos).

O que o rock representa na sua vida?

É a trilha sonora da minha vida. Para todas as ocasiões tem sempre alguma música ou disco que narra esses acontecimentos.

Se você tivesse que indicar algumas bandas, e alguns discos, para uma pessoa que nunca teve contato com o rock, o que indicaria?

Foi lançado recentemente um box com 4 CDs chamado "Heavy Metal". Tem muita coisa boa lá e para quem quer conhecer um pouco de tudo que já aconteceu vale a pena dar uma conferida. Tem Deep Purple, Dio, Judas, Iron, Metallica, Testament, Slayer, Motorhead, WASP, Whitesnake, Venom, Savatage, Twisted Sister e mais um monte de bandas legais.

Tem alguma história engraçada ou curiosa que aconteceu com você por causa da música, e que te fez pensar algo como "isso só acontece com um colecionador mesmo"?

Como colecionador posso dizer que houve uma vez que eu estava acompanhando um leilão na internet e o vendedor do LP não sabia do seu conteúdo (era um picture que tinha a foto do James Hetfield nos dois lados), pois não tinha toca-discos. Um internauta mandou um recado que o LP era de entrevistas. Como disco de entrevista é chato demais, ninguém se interessou pelo vinil. Na verdade se tratava de um ao vivo em Cleveland (1983) e consegui arrematá-lo por menos de R$30 reais.

Agora, com fã aconteceu de tudo, principalmente nos shows. Um momento legal aconteceu no show do Metallica em 1993, quando entramos no gramado do Parque Antártica com a faixa aberta (vide foto). Me senti verdadeiramente um componente do Metallica, o pessoal da arquibancada ficou louco e começou a gritar com se fosse um gol.

Certa vez, no Skol Rock (1997), eu estava pendurado na grade bem na lateral do palco e chovia muito, nessa época eu estava fazendo tratamento de gastrite e sempre tinha que estar mastigando alguma coisa. Foi então que enquanto eu mandava um biscoito água e sal no meio da chuva, percebi que tinha uns dois seguranças que não tiravam os olhos do biscoito. Quando ofereci, os caras disseram que desde manhã que não comiam nada e me perguntaram "você gosta desse maluco que vai tocar agora" (era o Bruce Dickinson), eu respondi que desde criancinha. Então ele respondeu "na hora que ele entrar, eu abro a grade e você entra para assistir lá na frente". Foi muito louco, assistir o show na cara do gol. Se esticasse a mão, seguraria o pé do Bruce Dickinson! Tenho milhares de histórias para contar, penha que o espaço é curto.

Pra fechar, que papel você acha que nós, colecionadores, temos na indústria da música, no mundo e aqui no Brasil?

Nós mantemos vivo um passado que para muitos não existe mais. Tudo mudou, mas os LPs e CDs permanecem. A música é a mais completa das artes, retrata sentimentos. É a arte mais acessível, a mais admirável, a mais maravilhosa.

Cara, muito obrigado pelo papo, valeu por ter aceito participar da Collector´s Room, e que tudo dê certo na sua vida.

Agradeço a oportunidade de retratar um pouco da minha história. Quero mandar um abraço para os precursores do Metal em Caieiras (Amilton, Gleiton, Marlos, Toninho, Alex Cabeludo, Ricardo Pudim) e sucesso para todos. Um abraço.

Felipe Fleury - Colecionador de ítens do Guns N' Roses

No final dos anos oitenta e começo dos anos noventa, uma geração inteira começou a ouvir rock and roll e heavy metal influenciados por um grupo americano que, apesar da curta existência, até hoje provoca acaloradas discussões: o Guns N´Roses.


O paulista Felipe Fleury é um destes caras. Dono de uma coleção respeitável de itens do GNR, ele conta a sua história, que é muito parecida com a de qualquer pessoa que tenha vivido aquela época, a partir de agora para os leitores da RockNews!

Antes de tudo muito obrigado por participar da Collector´s Room. Para começar o nosso bate-papo, gostaria que você se apresentasse aos nossos leitores.

Meu nome é Felipe, tenho 30 anos, moro em São Paulo, sou publicitário e colecionador de Guns N´ Roses desde 1989.

Você lembra como foi o seu primeiro contato com a música, e como você descobriu e se apaixonou pelo rock e pelo metal?

Meu primeiro contato com a música deve ter sido por volta de 1987, sempre fuçava a vitrola do meu pai. Adorava pôr e tirar o disco, não sei por que. Comecei ouvindo rádio e gravava muitas coisas em K7. Iniciei ouvindo dance-music, depois house, ganhava dos meus pais muitos LPs e K7s desses estilos. Eu amava Information Society, daí um dia ouvi um assobio ...

Junto com dance music sempre curti baladinhas de grupos como Crowded House, Toto e A-ha, e eis que um dia a música do assobio tocou na novela.

Diria que o rock veio bem depois, não digeria muito sons pesados. Para mim, “Patience” deveria ser mais um A-ha da vida, mas graças a Deus eu estava errado.

Quando você percebeu que estava se transformado de um simples fã em um colecionador?

Quando procurei saber quem tocava “Patience”, me mostraram um álbum em que ela não estava, um tal de “Appettite for Destruction”, daí descobri que “Sweet Child O’ Mine” e “Paradise City” eram também dos mesmos caras. Nossa, daí quis os dois discos, o que tinha “Patience”, um tal de “GN’R Lies”, e o “Appettite …”. Daí em diante foi difícil eu voltar a ouvir A-há e Information Society.

Minha maior luta era ir bem na escola para poder ganhar mais discos do Guns N´Roses, mas, poxa, que pena, eles só tinham aqueles dois álbuns. Visto isso, comecei a descobrir revistas, comecei a acompanhar a história e correr atrás do que estava ao meu alcance. Ía às bancas, comprava o que dava de revistas onde eles apareciam, e a partir daí percebi que não era mais um simples fã. Tudo o que possuía a palavra Guns N´Roses eu dava um jeito de comprar, e até hoje faço isso.

Felipe, sacia a minha curiosidade: quantos álbuns no geral você possui, e quantos do Guns´N Roses?

Olha, devo ter uns 200 álbuns de rock em LP ,dos quais uns 80 com certeza são do Guns. Entre eles estão os originais, os bootlegs, os pictures, os shapes, os uncut shapes, os etcheds todos em 7 e 12 polegadas. Tem também uns 80 CDs entre singles, samples, promos e afins.

Além do Guns, de quais outros grupos você possui mais material?

Hoje em dia sou fanático por rock progressivo. Me lembro que as atenções voltaram pra esse estilo justamente quando o Guns começou a enrolar demais pra soltar algo. Ficou cansativo ter apenas o “Appettite …”, o “Lies” e os “Illusions” para digerir. O “Spaghetti Incident” também não saciou como novidade, mas curti, então procurei outras praias, mas nunca deixei de colecionar Guns.

Foi aí que eu conheci um amigo que é louco por Marillion e Rush e, através dele, aprendi a gostar de progressivo. Tive uma escola com esse cara e até hoje sou fissurado em rock progressivo. Costumo brincar dizendo que “Estranged” é a música mais progressiva do Guns, então, além do GNR as bandas que mais tenho material são Rush, Marillion e IQ, sem contar os Pink Floyd, Yes, Genesis, Pendragon, Dream Theater ...

Quando você começou a colecionar material do Guns?

Então, como disse acima, foi “Patience” meu ponto de partida. Eu sempre colecionei material do grupo, independente da formação e conflitos da banda. Até hoje coleciono e pouco me importo quem está ou não na banda. É claro que sou fã da primeira formação e confesso que sem Slash fica difícil de aguentar, mas a minha prioridade de uns dez anos pra cá é a coleção. Costumam dizer que sou colecionador de GNR e related, ou seja, tudo que tem Guns impresso eu pego. Ex: estou pra comprar um picture bootleg em vinil do Metallica que se chama “Appettite for Destruction” (risos).

Que outros formatos, além de vinil e CD, você possui na sua coleção?

Possuo, além dos CDs, como já disse, LPs de todas formas e tamanhos, bem como LDs, VHS originais, DVDs originais e bootlegs, K7s e uma coisinha ou outra em MP3 só pra ver o que está rolando hoje, mas confesso que detesto MP3. Ou eu tenho original ou tá fora da coleção. Não contabilizo CD-R e afins.

O que falta ainda conseguir para você ter literalmente “tudo” o que o Guns lançou?

Bem, eu não penso desta maneira pois não sou milionário (risos), mas com certeza tem muitos itens ainda que gostaria de ter. Sei que possuo alguns bem raros, de pouca tiragem, mas têm algumas coisas que passaram batidas na época em que eu não trabalhava e não podia comprar.

Hoje em dia, para se ter tudo, primeiro você tem que conceituar bem o que é “ter tudo”. Há promos sem capas em CDs e em LPs que são um buraco sem fim. Às vezes é apenas uma música que muda e daí nasce um novo item. No meu caso, se tenho um CD “made in UK” mas sei que existe um “made in Venezuela”, só terei tudo quando tiver todos os “made in” existentes. Pra mim é assim que vejo o “ter tudo”. Há uma vantagem em conceituar assim: a coleção não tem fim e fica cada vez mais desafiadora.

Um item que já vi a venda, não podia comprar na época e nunca mais achei é o “Yesterdays” em vinil picture de 12 polegadas. Se alguém tiver, contate-me.

Vamos voltar um pouco no tempo então: qual foi o primeiro álbum que você comprou, e por quê?

Do Guns foi o “Appettite for Destruction”. Mesmo conhecendo GNR através de “Patience”, foi o “Appettite …” que comprei primeiro. Minha querida bisavó me deu o “Lies” de amigo secreto mais tarde, foi surreal ganhá-lo assim. Antes de ter o “Lies”, me lembro que apareceu em casa a trilha da novela global “Que Rei Sou Eu?”, de onde ouvia “Patience”. Só pra complementar, também corro atrás de coletâneas onde tenha músicas deles, como discos de novelas, por exemplo.

Mas o primeiro álbum que comprei, sem ser do Guns, deve ter sido um da Tracy Chapman, aquele que tem “Baby Can I Hold You?”. Sempre curti a voz dela.

Qual o item que você considera o mais raro da sua coleção?

Acho que pra qualquer colecionador de GNR o item mais almejado é o EP “Live Like a Suicide”, de 1986. Trata-se do primeiro registro gravado em LP. São quatro faixas ao vivo somente, em ambos os lados do vinil, que mais tarde seria o complemento do “GN’R Lies”. Me parece que saíram apenas 10.000 cópias e eu ganhei a minha de aniversário, foi a maior emoção no dia que isso aconteceu. O disco é lindo!!! Em um dos rótulos há um desenho grande do selo do próprio GNR, o Uzi Suicide. Veja nas fotos. Long life to SIDE A: Reckless Life, Nice Boys, Move to the City e Mama Kin e no SIDE B: idem!

Qual foi o maior número de álbuns que você comprou de uma única vez?

Quando recebi meu primeiro salário do exército fui à famosa Galeria do Rock e comprei seis CDs, o dólar era 1 pra 1, era uma maravilha. Comprei um do Fish – “Songs from the Mirror”, um do Floyd – “A Momentary Lapse of Reason” e mais quatro que não me lembro. Já dá pra perceber a influência progressiva com esses dois né?

Quantos álbuns em média você compra por mês?

Hoje compro mais DVDs, média de dois por mês. E fico procurando as raridades nos ebays da vida.

Tem algum item que, só de alguém chegar perto, você já gela e morre de ciúmes, tem um carinho especial e não venderia de jeito nenhum?

Sim, o “Appettite for Destruction” Picture LP e o “Live Era” LP Quádruplo. E é claro, o EP “Live Like a Suicide”. Esses três, na mesma proporção. Tem também um “Sweet Child O’ Mine” em forma de cruz. Esse, putz, sai de perto (risos).

Entre todos os itens que você possui, quais foram os que deram mais trabalho para conseguir?

O “Pretty Tied UP” promo CD e o EP japonês “Live from the Jungle” em LP (um que a capa é igual a do “Appettite”). Ambos peguei em um leilão na internet, mas foi fogo, porque vários lances simultâneos fizeram o preço subir muito rápido, mas arrematei. Dei lances no último segundo.

Toda coleção sempre possui diversos itens curiosos. Qual você considera o item mais estranho da sua?

O mais estranho é uma versão japonesa que tenho do “The Spaghetti Incident?”, que na embalagem diz vir com o álbum completo e mais dois bootlegs em formato MP3, e para minha surpresa, não há MP3 algum! E mais: a capa do CD é perfeita, mas as páginas do encarte, acredite, são do acústico do Nirvana (risos). Podem rir, é isso mesmo, mas, como sou GNR e related, esse item, além de estranho, se tornou muito louco na coleção!

Que discos você está procurando há tempos, e ainda não conseguiu?

O “Yesterdays” Picture LP de 12 polegadas e o “Metal Petals” Bootleg de 12 polegadas também em vinil. Já os vi, mas na época não tinha grana. Nunca mais vi sinal deles! Por favor me arrumem! (risos)

A troca de materiais é uma prática comum entre os colecionadores. Às vezes, na empolgação de conseguir algum item mais raro, acabamos nos desfazendo de alguns discos que, mais tarde, acabam fazendo falta. Sendo assim, eu queria saber qual disco você vendeu, trocou ou meteu no meio de algum rolo, e acabou se arrependendo depois?

Do Guns, nenhum. Jamais faria isso, só mesmo por problemas financeiros sérios ou de saúde.

Como você guarda e conserva a sua coleção?

Por ordem de lançamento, singles separados de promos. Guardo por formato, eu diria. Os LDs ficam com os LPs. Os bootlegs ficam por ordem alfabética, pois nem sempre as datas de lançamento são verdadeiras.

Eu queria que você fizesse agora um top#5 com os itens do seu acervo que você mais curte.

1. EP “Live Like a Suicide” LP
2. “Live Era” LP Quádruplo
3. “Appettite for Destruction” Picture LP de 12 polegadas
4. “Estranged” Promo CD
5. “Sweet Child O’ Mine” Shape LP da cruz

Quais seriam, para você, os dez melhores álbuns de todos os tempos?

1. Appettite for Destruction – Guns N´Roses
2. The Dark Side of the Moon – Pink Floyd
3. Animals – Pink Floyd
4. Misplaced Childhood – Marillion
5. Ever – IQ
6. Moving Pictures – Rush
7. Close to the Edge – Yes
8. Selling England by the Pound – Geneses
9. Aqualung – Jethro Tull
10. Vigil - Fish

O que você tem ouvido ultimamente, e o que destacaria para os leitores da RockNews!?

O novo CD do Rush, “Snakes and Arrows”. Não é dos melhores, mas vale a pena. Ah, e as novas do GNR de estúdio que vazaram. Axl se fodeu, tomara que vazem todas (risos).

Qual é o limite da sua coleção? Deixa eu ser mais claro: qual é o seu objetivo final com essa coleção, até onde você quer chegar com ela?

O objetivo é colecionar sempre, mostrar para outros colecionadores e principalmente correr atrás do que me falta. Gostaria muito, por sinal, de conhecer colecionadores, nunca os vi. Aproveito a oportunidade para que entrem em contato comigo pelo MSN: huseg@hotmail.com

Qual você acha que será o destino dos seus discos com o passar dos anos, com você ficando mais velho?

Não sei. Seria interessante que, se eu vier a ter filhos, eles pelo menos os guardem, mesmo curtindo outros estilos.

Qual você acha que foi, e ainda é, o papel, a importância e a influência do Guns N’ Roses para a música?

Concordo quando a mídia diz que eles surgiram numa época em que o rock estava meio apagado, sem atitude, sem nada. Acho que o Guns reascendeu a chama do rock, com todos os exageros e polêmicas envolvendo o grupo, mas hoje, com a música digital e com a facilidade com que aparecem novas bandas, creio que ficou um grande nome e uma grande referência para os novos adeptos do estilo. Sei que é um pé no saco o eterno adiamento do suposto novo CD, o “Chinese Democracy”, mas, com certeza, na era dos downloads, pelo menos com esta imbecil estratégia de Axl Rose de adiar tanto, acredito muito que esse álbum num primeiro momento será mais comprado do que baixado! Antes que você pergunte, com certeza comprarei o nacional, o importado, o LP e tudo que vincular-se a ele, assim como fiz com todos os outros. Ah, tomara que surjam grandes singles dele.

Qual a sua visão de fã a respeito do que aconteceu com o Guns´N Roses, que era a maior banda de rock do mundo (e uma das maiores da história) e, por conflitos internos, entrou em crise e até hoje não conseguiu se recuperar?

Então, eu era Guns e mais nada. Hoje tenho outras opções, como o progressivo. O problema é exclusivamente com Axl. Me parece que ele não conseguiu lidar com seu próprio sucesso, com sua fama. Como disse, a banda teve um papel importante no rock, mas Axl levou tudo pro buraco. Não vejo o mesmo brilho no Velvet Revolver, acho que uma banda precisa dos integrantes da outra.

Por falar nisso, minha coleção é independente do que acontece com a banda. Também tenho itens do Slash’s Snakepit, do Izzy Stradlin e do Duff Mc Kagan.

Você curte os trabalhos paralelos dos antigos membros do grupo, como o Velvet Revolver e os trabalhos solo dos caras?

Como sou GNR e related, tenho também os discos do Izzy, do Slash, do Duff, enfim, de todos. Confesso que os ouvi pouco. O Velvet é legalzinho. Quero o vinil do primeiro.

Como está a sua expectativa para o lançamento do já lendário “Chinese Democracy”, que, ao que tudo indica, chegará ao mercado, finalmente, em 2007?

Como comentei acima, é tanta expectativa que acredito que venderá bastante, dizem que é o disco mais vendido não lançado (risos).

Felipe, o que você acha que teria ocorrido com o Guns se os conflitos internos não tivessem surgido e terminado com a banda?

Como se sabe, a banda não acabou, Axl detém os direitos do nome Guns N´Roses e, desde então, ele colaborou para a “ruína”. Acredito que se ele não tivesse sido tão estrela, hoje o Guns seria muito mais referência e teria uma carreira muito mais sólida, não que isso seja necessário.

Nestes anos todos esta paixão pela música certamente propiciou a você diversas experiências interessantes e curiosas. Conta aí alguma que você viveu por causa da sua paixão pela música.

30 de abril de 1996. Show do Fish, ex-vocalista do Marillion. Poucas horas antes nos preparávamos, eu, amigos e mais o amigo que citei no início que é doido por Marillion, para assistir ao primeiro show dele no Brasil. Levamos encartes de CDs, máquina fotográfica, com um único pensamento: o Palace tem um palco baixinho, é bem provável que consigamos um autógrafo. Estávamos delirando com um pensamento desses, mas, eis que antes mesmo de o show começar, ainda do lado de fora, poucas pessoas mais o meu grupo, perceberam que o Fish e sua equipe andavam do outro lado da rua, discretos em direção contrária a porta do Palace. Resolvemos seguir e bingo: o cara foi jantar. Pegamos a mesa do lado, ficamos esperando a hora certa e eis que o próprio Fish começou a brincar com a gente. Enfim, um pré-show como jamais imaginávamos, nas mesas do Zilerthal, com autógrafos e fotos de sobra e, como se não bastasse, ao fim do show ainda atendeu um monte de fãs no estacionamento distribuindo autógrafos e tirando fotos.

P S: isso repetiu-se na apresentação dele em 2001, mas sem o jantar.

Ah, preciso dizer: o show do Guns no Anhembi em 10/12/1992 foi excepcional, nunca senti tanta emoção em minha vida!